Dia Nacional do Voluntariado: Por que empresas incentivam ações de impacto social?

 

Matéria publicada pela Revista EXAME

 

Brasil ocupa a 48º posição na prática de trabalho voluntário no mundo, segundo ranking global. Empresas podem ajudar a melhorar esse cenário

O cenário das ações voluntárias no Brasil

Todo o dia 28 e agosto é celebrado o Dia Nacional do Voluntariado no Brasil. Reconhecido pela Lei nº 7.352, de 28 de agosto de 1985, a data busca homenagear a todos que doam um pouco do seu tempo ou dinheiro em algum projeto social que pode impactar a vida de pessoas e o meio ambiente.

Em um país como o Brasil, que tem a desigualdade social com um dos desafios, a solidariedade está se tornando cada vez mais necessária e comum. Em 2022, 84% da população brasileira acima de 18 anos e com renda familiar acima de 1 salário-mínimo realizou algum tipo de doação (seja de dinheiro, bens ou trabalho voluntário) – em 2020, o perceptual era de 66%. É o que diz a “Pesquisa Doação Brasil 2022”, estudo coordenado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, e realizado pela Ipsos.

A pesquisa foi realizada a partir de uma abordagem quantitativa, com a realização de 1.508 entrevistas telefônicas entre 03 de maio a 13 de junho de 2023.

Considerando essa amostra representativa do cenário nacional, o estudo também destaca que:

  • 48% fazem doações em dinheiro;
  • 36% doam dinheiro para ONGs;
  • 75% doam bens/materiais ou dinheiro;
  • 26% doam tempo em trabalhos voluntários;
  • 88% da Geração Z acredita que doar faz a diferença.

“Entre os representantes da Geração Z, jovens entre 18 e 27 anos, o voluntariado é mais forte que entre a população em geral – 30% contra 26%. Eles também se mostram mais satisfeitos em relação às doações, confiam mais no trabalho das ONGs e se dizem mais propensos a doarem mais no ano seguinte, pontos que indicam a tendência de maior participação das novas gerações”, afirma Luisa Gerbase de Lima, gerente de conhecimento e comunicação no IDIS.

Família, religião e campanhas institucionais e corporativas são alguns dos fatores que podem influenciar na decisão de doar, mas em cenários de emergência, como exemplo a pandemia, pode despertar o lado solidário das pessoas e das empresas. “A pesquisa mostra também que o impacto da pandemia ainda perdura e 38% dos doadores dizem que a experiência os levou a doar mais,” diz Lima.

Ainda temos muito em que avançar…

O valor estimado do total de doações realizadas por pessoas em 2022 chegou a R$ 12,8 bilhões, o equivalente a 0,13% do PIB, segundo a pesquisa do IDIS. Apesar de ser maior que o apurado em 2020 (R$ 10,3 bilhões), ainda não chega ao patamar do volume de doações de 2015 – apurado em R$ 13,7 bilhões.

Entre as principais causas procuradas para doações em 2022 o estudo destaca:

  • Crianças / causa infantil: 46%
  • Saúde: 30%
  • Combate à fome: 29%
  • Situação emergenciais: 13%
  • Idosos: 11%
  • População de rua: 10%

Tradicionalmente a causa infantil é aquela que mais mobiliza doações, tanto de pessoas quanto de empresas, afirma a gerente do IDIS. O envolvimento com as demais causas, por outro lado, sofre mais oscilações.

“O tema da saúde certamente foi impulsionado depois da pandemia. E o combate à fome, pelo crescimento da pobreza, que é evidente no país. Vale ressaltar que a causa pessoas em situação de rua/população de rua, mobilizou 10% dos doadores, contra apenas 1% em 2020, registrando o maior crescimento entre todas. A causa ambiental, que também não tinha muitos adeptos em 2020, também 1%, cresceu para 5%,” diz Lima.

Por que as empresas devem apostar em ações voluntárias no Brasil?

De acordo com o ranking World Giving Index 2022, realizado pela organização britância CAF – Charities Aid Foundation, o Brasil ocupa a 48º posição na prática trabalho voluntário no mundo – entre 119 nações.

Apesar de termos uma lei que regulamenta a atividade desde 1998, a Lei do Voluntário, ainda são poucas as pessoas e organizações que a conhecem e aplicam, afirma a gerente do IDIS.

“O baixo conhecimento sobre a legislação do voluntariado no Brasil aponta um potencial de ação para que organizações fomentam o voluntariado, uma vez que essa formalização do vínculo é um passo importante para o crescimento da atividade.”

Outro campo que exige atenção, de acordo com Lima, é a ampliação da atividade no Brasil por meio do voluntariado corporativo que ainda é pouco explorado, mas tem grande capacidade de mobilização.

“Quando unimos o investimento social corporativo com os anseios individuais, encontramos um campo fértil para ações solidárias de empresas junto ao seu público interno e aí moram os programas de voluntariado corporativo. Os resultados possíveis dessa união são muitos, indo além do impacto social gerado.”

Entre alguns dos benefícios de ações solidárias envolvendo os colaboradores, Lima destaca:

  • Melhoria do clima organizacional,
  • Aumento do sentimento de pertencimento,
  • Oportunidade de desenvolvimento de competências,
  • Fortalecimento de laços entre colaboradores,
  • Aprofundamento do relacionamento com a comunidade da empresa,
  • Contribuição à estratégia de impacto e investimento social privado corporativo,
  • Atração de talentos;
  • Contribuição à reputação da marca junto a outros stakeholders.

“Tais programas integram também a agenda ESG, cada vez mais considerada nas tomadas de decisão de investidores. Ao promover programas de voluntariado corporativo, todos ganham”, diz Lima.

Considerando esse papel social que as empresas também podem ter no terceiro setor, algumas companhias e instituições realizam há anos alguns projetos sociais que estão transformando vidas e consequentemente o futuro das próximas gerações no Brasil:

Acabar com a fome e a sede ainda é um desafio no Brasil

A ONG “Amigos do Bem” atua desde 1993 com uma missão: acabar com a fome, a sede e o analfabetismo no sertão nordestino, onde concentra 57% dos brasileiros que ainda vivem em situação de extrema pobreza no país.

A ONG reúne hoje 11 mil voluntários ativos que se distribuem em 147 grupos de trabalho diferentes. “São milhares de ‘mãos silenciosas’, que como sempre digo, estão fazendo o Bem para ajudar quem mais necessita,” afirma Alcione Albanesi, empresária, empreendedora social, fundadora e presidente da ONG Amigos do Bem.

O Amigos do Bem realiza doações em diferentes áreas, como:

  • Na área da saúde: mensalmente, médicos e dentistas atendem quem mais precisa na região. Importante destacar que todo o histórico médico/de saúde de cada família é registrado e acompanhado pelo Cartão do Bem.
  • No setor educacional: pedagogos capacitam todos os meses a nossa equipe local de professores e acompanham as crianças e as iniciativas educacionais.
  • Na infraestrutura: a ONG conta com engenheiros que veem de perto os poços artesianos e os projetos de infraestrutura nos 300 povoados atendidos. Já a equipe de auditoria voluntaria garante que tudo aconteça da melhor forma. Por meio deste trabalho, 123 cisternas foram criadas e 60 poços artesianos foram perfurados para levar água à população.
  • Doação de alimentos e roupas: todas as doações (alimentos, brinquedos, roupas, entre outros itens) chegam à Central do Bem e todos os dias voluntários se distribuem para preparar com as doações que são enviadas ao sertão nordestino.

O engajamento em ações voluntárias por parte das empresas evidencia um compromisso genuíno com a sociedade. O voluntariado fortalece nosso impacto social, mobiliza a comunidade e nos permite construir um futuro em que o sucesso empresarial esteja ligado ao bem-estar coletivo, diminuindo a desigualdade social gritante do nosso país e construindo um Brasil mais justo e solidário para todos,” afirma Albanesi.

Conectados para o bem

O Instituto GPA, responsável pelas iniciativas de impacto social do Grupo Pão de Açúcar, desenvolve e organiza uma agenda de atividades voluntárias junto a instituições parceiras e fomenta, por meio da plataforma “Colabora” ações voluntárias, que conecta os funcionários com ações voluntárias remotas e presenciais demandadas por organizações sociais de todo o país.

O colaborador também tem a oportunidade de escolher o tipo de ação e a causa que melhor se alinham ao seu propósito e rotina como: montagem e entrega de cestas básicas, plantio de mudas, mentoria profissional para jovens que estão em fase de ingresso no mercado de trabalho, revitalização de espaços em instituições parceiras, doação de sangue, entre outros.

Desde o lançamento do Colabora, no ano passado, os resultados têm sido expressivos, afirma Renata Amaral, gerente do Instituto GPA.

“Até agora, são cerca de 400 colaboradores ativos na plataforma e mais de 260 participações voluntárias no ano, ultrapassando em mais de 100% da meta estabelecida para o período. O Colabora está se consolidando como um catalisador de transformações positivas, para os colaboradores que participam e para as organizações apoiadas.”

Nesse mês do voluntariado, também fomentando a colaboração entre empresas, uma das ações foi realizada em parceria com a Heineken. Na ocasião, mais de 70 colaboradores de ambas as empresas atuaram como voluntários em uma ação social no Projeto Arrastão, uma organização sem fins lucrativos que faz o acolhimento e dá suporte às famílias da região do Campo Limpo, em São Paulo, que vivem em condição de vulnerabilidade social.

“Os colaboradores fizeram um mutirão de revitalização, participando de atividades como pintura e instalação de lixeiras de metal para coleta seletiva, plantio de flores e plantas e pintura interna e externa de espaços da instituição”, diz Amaral.

Link da matéria publicada pela Revista Exame: https://exame.com/dossie/carreira/dia-nacional-do-voluntariado-por-que-empresas-incentivam-acoes-voluntarias/#s-conectados-para-o-bem

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